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O que é Neurociência e sua relação com a PNL?

Neurociência o que é, portal IBGA

Porque falar de Neurociência?

 

A neurociência lida mais com o cérebro do que com a mente. A Programação Neurolinguística – PNL lida mais com a mente do que com o cérebro.

O diretor de aprendizagem e coordenador científico do IBGA, Aguilar Pinheiro, já atuava na área de treinamento e desenvolvimento comportamental quando se tornou PeNeLista, com a proposta de agregar a PNL ao seu trabalho.

Ao estudar e aplicar a PNL percebeu que os conhecimentos da mesma careciam de uma compreensão mais substancial sobre os mecanismos biológicos do sistema nervoso. O caminho natural era a neurociência. Este foi um dos motivos pelos quais tornou-se neurocientista, pelo Programa de Neurociências da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.

Mentalismo é a denominação associada ao princípio de que a mente, a psique de uma pessoa é responsável por seus comportamentos. Portanto, por ser não-material, a mente não pode ser estudada pelos métodos científicos.

Muitos, se não a maioria, dos cientistas, acredita que através da compreensão dos mecanismos cerebrais que produzem o comportamento é possível explicar o comportamento sem a necessidade de recorrer às ações da mente.

No entanto, apesar da rejeição científica ao mentalismo, a ciência utiliza seus termos, tais como sensação, percepção, atenção, emoção, motivação, memória, vontade, etc.

 

Reflexões interessantes em neurociência:

Haveria comportamento humano, como curiosidade, criatividade e inovação sem a influência da mente?

A memória é um processo essencialmente biológico ou constitui a essência da mente?

Como explicar a Potencialização de Longo Prazo sem levar em consideração a mente?

Sem a mente (registro das memórias individuais, responsáveis pelo que distingue um indivíduo de todos os outros), como seriam nossos comportamentos?

No IBGA aceitamos a premissa de que o cérebro funciona através de estímulos sensoriais e que a memória, que também não é material, mas é estudada pela ciência, é o composto primordial da mente, sendo, portanto, o cerne do Modelo Mental de cada indivíduo. Sendo assim, a neurociência é muito valiosa para a compreensão do comportamento e permite que as intervenções que a PNL possibilita se tornam muito mais eficientes com a união da PNL às Neurociências.

 

Definição de Neurociência

 

Neurociências ou Neurociência?

 

As duas definições estão corretas. No plural, representa a multidisciplinaridade desse campo de estudos. Isso significa que na maioria das áreas da vida, se não em todas, há neurociências.

De acordo com a Sociedade Americana de Neurociências, criada em 1970, Neurociências é “o conjunto das disciplinas que estudam pelos mais variados métodos, o sistema nervoso e as relações entre as funções cerebrais e mentais”.

Cada uma dessas disciplinas em separado é uma Neurociência, como, por exemplo, Neurociência do Comportamento. Devido à dificuldade de compreender o funcionamento do encéfalo os cientistas criaram uma maneira de reduzir a complexidade do problema.

Eles o dividiram em pequenos pedaços para uma análise sistemática experimental denominada de abordagem reducionista. Cada “pedaço” a ser estudado foi denominado de nível de análise, que engloba diversos campos de estudos dentro de cada nível, que por sua vez pode ser muito abrangente em termos de disciplinas envolvidas.

Os de níveis de análise:

  1. Neurociências Moleculares;
  2. Neurociências Celulares;
  3. Neurociências de Sistemas;
  4. Neurociências comportamentais;
  5. Neurociências Cognitivas.

A forma que os cientistas usavam, no passado, para conhecerem o sistema nervoso era associar funções como as da visão, a fala, da escrita ou das emoções aos seus locais de controle no encéfalo. Para tanto, precisavam encontrar uma pessoa que tivesse uma lesão nestas áreas, esperar que ela morresse e, somente então, estudar seu cérebro, para identificar o local e a extensão da lesão.

Os avanços da tecnologia médica, como o Eletro Encefalograma e os exames de imagem, como a ressonância magnética funcional, permitem observar a ativação de áreas específicas envolvidas numa determinada atividade quase que em tempo real.

As tecnologias de imagem do cérebro contribuíram para que a compreensão do cérebro esteja acelerada e isso ampliou, consideravelmente, a aplicação da neurociência em diversas novas áreas como neuroeconomia e neuromarketing.

No âmbito do comportamento, especificamente nos campos do coaching e da PNL, os conhecimentos neurocientíficos são fundamentais para oferecer suporte aos profissionais que lidam com a PNL de maneira mais técnica. É como ter os dois lados da moeda, o comportamento e a estrutura cerebral que o suporta.

 

Definição de Neurociência

Neurociências ou Neurociência?

As duas definições estão corretas. No plural, representa a multidisciplinaridade desse campo de estudos. Isso significa que na maioria das áreas da vida, se não em todas, há neurociências.

Como diz Roberto Lent, em Neurociências da Mente e do Comportamento, (2008), Brasil, Gen: “Diferentes profissionais da atualidade lidam com conceitos da Neurociência, mesmo sem saber:

 

Os mais óbvios:

Psicólogos, médicos e biomédicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos.

 

Os menos óbvios:

São os farmacêuticos, por exemplo, que precisam conhecer o efeito das substâncias psicoativas. Ou os nutricionistas, que devem conhecer as determinações neurais da obesidade e da anorexia. Mais surpreendentes, porém, são as conexões da Neurociência com os engenheiros, através das redes neurais e dos computadores adaptativos baseados nos processos de aprendizagem; com os comunicadores e músicos, que devem conhecer os mecanismos da audição; como os artistas plásticos, que muito se beneficiam do conhecimento dos mecanismos da percepção sensorial; e até mesmo com os esportistas, que precisam conhecer os mecanismos de comando e controle que o cérebro exerce sobre a motricidade.

De acordo com a Sociedade Americana de Neurociências, criada em 1970, Neurociências é “o conjunto das disciplinas que estudam pelos mais variados métodos, o sistema nervoso e as relações entre as funções cerebrais e mentais”.

Cada uma dessas disciplinas em separado é uma Neurociência. Devido à dificuldade de compreender o funcionamento do encéfalo os cientistas criaram uma maneira de reduzir a complexidade do problema.

“Os cientistas o quebraram em pequenos pedaços para uma análise sistemática experimental (Bear, F. Mark – 2001)” denominada de abordagem reducionista. Cada “pedaço” a ser estudado foi denominado de nível de análise, que engloba diversos campos de estudos dentro de cada nível, que por sua vez pode ser muito abrangente em termos de disciplinas envolvidas.

Em ordem ascendente de complexidade os níveis de análise são:

  1. Neurociências Moleculares: (estudam o encéfalo em seu nível mais elementar, através da pesquisa de células, muitas, exclusivas do sistema nervoso);
  2. Neurociências Celulares: (estudam como as células trabalham juntas para dar ao neurônio suas propriedades especiais);
  3. Neurociências de Sistemas: (estudam os sistemas formados pelas constelações de neurônios que formam circuitos destinados a funções específicas comuns, como, por exemplo, a visão, que depende de um sistema visual dentro do encéfalo para funcionar);
  4. Neurociências comportamentais: (estudam como os sistemas neurais trabalham juntos para produzir comportamento, buscam responder muitas questões como: Existem diferentes tipos de memória para diferentes tipos de sistemas?; Onde as drogas atuam no sistema nervoso, qual o sistema é responsável pelos comportamentos específicos de cada gênero?; De onde vêm os sonhos? Etc.;
  5. Neurociências Cognitivas: (estudam as atividades mentais superiores do homem, como a consciência, a imaginação e a linguagem. As pesquisas dessa área das neurociências investigam como a atividade encefálica cria a mente.

O cérebro é formado por quatro regiões:

Cortical, a camada externa que é dividida em dois hemisférios, (esquerdo e direito) e em quatro lobos (temporal, frontal, parietal e occipital).

O Sistema ou Complexo Límbico, abriga a parte mais central do cérebro, mas tem ramificações também no córtex. Sua estrutura abriga a amígdala, o tálamo, o hipotálamo, os corpos mamilares e outras estruturas mais profundas.

O Mesencéfalo abriga estruturas especializadas, como o teto, onde estão os colículos (superior e inferior), que recebem grande quantidade de informações dos olhos e ouvidos respectivamente.

O Tronco Encefálico abriga estruturas como a medula oblonga e os centros denominados de “vegetativos, que mantém a vida mesmo se a pessoa estiver inconsciente.

A divisão vertical do cérebro, passam, gradualmente, da atividade mental de alto nível, do córtex, para inferiores basais, no Sistema Límbico e “primitivas”, no Tronco Encefálico, especialmente na parte inferior da medula, que lidam com funções corporais vitais, como a respiração e a frequência cardíaca.

Se você leu o O cérebro triuno: três cérebros em um, em O que é PNL, fica fácil compreender a metáfora zoológica.

 

O Sistema Nervoso

O cérebro e a medula espinhal formam o Sistema Nervoso Central – SNC, e todas as fibras que saem da medula espinhal para outras partes do corpo compõem o Sistema Nervoso Periférico – SNP. Redes de nervos sensoriais e motores se estendem pelos dois sistemas.

Uma definição simples de comportamento é que se trata de qualquer tipo de movimento em um organismo vivo. Apesar de todo comportamento possuir uma causa e uma função, eles variam em complexidade e em grau de dependência do aprendizado.

A palavra Neurociência é recente e o campo que ela representa é instigante e abrangente. Mas, muitas das descobertas hoje associadas às neurociências foram feitas por pesquisadores que viveram há séculos e dispunham de parcos recursos, foram os pioneiros na tentativa de desvendar o cérebro, ainda hoje uma caixa preta para a ciência.

Os avanços das neurociências impactam várias áreas do conhecimento e permitem, por exemplo, a criação de novos medicamentos inteligentes (neurofarmacologia), novas técnicas de ensino, novas dietas, maior eficiência de alocação de verbas de marketing e propaganda (neuromarketing), etc. Surgem a cada dia outras áreas que utilizam mal ou bem intencionadamente, o prefixo neuro.

Os níveis de análise ganham novas áreas e subáreas como a Neuroanatomia (estuda o sistema nervoso ou a estrutura neural de um órgão ou parte); Neurofisiologia (estuda as funções do sistema nervoso); Neuroquímica (estuda a composição química e os processos do sistema nervoso e os efeitos de substâncias químicas sobre este); Neuroeconomia e Neuromarketing (que estudam como os mecanismos de tomada de decisões de consumo e de risco influenciam o comportamento das pessoas).

A tecnologia não invasiva (que permite estudar o cérebro sem a necessidade de abrir o crânio) teve início em 1929, quando Hans Berger, um neurologista e psiquiatra alemão anunciou a criação do Eletroencefalograma, um aparelho que permitia captar as fracas ondas emitidas pelo cérebro e mediar a sua intensidade, isso permitia compreender como o cérebro se comporta durante o sono, a atividade consciente, estimulação sensorial, etc.  Berger acabara de fundar um importante da ciência médica, a neurofisiologia clínica.

As atividades cerebrais eram estudadas através de suposições baseadas na observação do comportamento ou pelo processo de associar funções como as da visão, a fala, da escrita ou das emoções aos seus locais de controle no encéfalo. Para tanto, os cientistas precisavam encontrar uma pessoa que tivesse uma lesão nestas áreas, esperar que ela morresse e, somente então, estudar seu cérebro, para identificar o local e a extensão da lesão.

Os avanços da tecnologia médica, como o Eletro Encefalograma – EEG muito aprimorado após Berguer, e os exames de imagem, como a ressonância magnética funcional, permitem observar a ativação de áreas específicas envolvidas numa determinada atividade quase que em tempo real e permitem definir quase com precisão a exata localização da atividade no cérebro. Muito se fala que estas tecnologias permitem “ver” o cérebro em funcionamento.

As tecnologias de imagem do cérebro contribuíram para que a compreensão do cérebro esteja acelerada e isso ampliou, consideravelmente, a aplicação da neurociência em diversas e novas áreas como neuroeconomia e neuromarketing. Muitas dessas tecnologias são excelentes para estudar a localização, outras para especificar o momento em que determinada atividade ocorre no cérebro.

Portanto, o “ver” não é bem real, pois entre a ativação de determinadas áreas do cérebro que disparam os comportamentos e a leitura destes sinais pela máquina há um atraso de tempo ou um desvio de localização. Os cientistas precisam fazer cálculos para definir exatamente o que a imagem está mostrando e, na maioria dos casos, não se pode oferecer conclusões definitivas.

Quando a imprensa mostra as maravilhas sobre os avanços da neurociência parece que o elixir da longevidade foi descoberto. De certa forma sim, mas a pesquisa na área de neurociência avança muito lentamente se comparada à expectativa de quem tem algum problema que ela possa vir a resolver.

Uma revista direcionada o público infantil publicou recentemente uma nota sobre uma máquina de ler pensamentos e a ilustrou com esta imagem:

img página Nneurociência, portal IBGA

Notícias divulgadas dessa maneira iludem os leitores sobre os reis estágios da ciência e criam ilusões acerca de tecnologias e desenvolvimento de tratamentos.

Além de não haver tecnologia para isso há as questões éticas que, em ciência, predominam com rigor.

 

Diferença entre estrutura e função cerebral

 

Quando você leu O que é PNL aprendeu que o comportamento tanto tem uma causa, quanto uma função. Agora vamos falar sobre as estruturas e funções cerebrais.

Para que servem seus pés e suas mãos? A resposta parece óbvia, mas imagine esta pergunta antes de nossos ancestrais aprenderem a andar eretos.

Pés e mãos possuem estruturas (formas) diferentes, porque servem a diferentes funções, isso aponta para uma clara correlação entre estrutura e função. Mesmo que você não seja um neurocientista pode aplicar esta lógica para confirmar isso.

No entanto, como demonstrado no tópico O Cérebro, se você abri-lo verá que fica bem difícil perceber diferenças em sua aparência praticamente uniforme. Porém, a cabeça abriga os principais sentidos, olhos, orelhas, nariz e boca que mostram claramente isso.

Os estudiosos gregos, o principal deles o pai da medicina, Hipócrates (384-322 a.C.), descobriram que dos órgãos dos sentidos, localizados na cabeça, partem muitos nervos que se direcionam para dentro do cérebro e concluíram que estes órgãos eram responsáveis pelas sensações e mais do que isso, que era também a fonte da inteligência.

Eles estão certos e, até hoje, há muitas estruturas cerebrais que ainda não possuem definidas as suas funções, isso, especialmente no que diz respeito à cognição e o comportamento.

Por isso a neurociência cognitiva e a comportamental estão nos dois últimos níveis de análise. Nos quais a complexidade é muito maior e o número de pesquisa muito menor.

Saber como, que músculos e em reposta a que estímulo um dedo específico se contrai é muito mais fácil do que identificar e classificar um comportamento como por exemplo, a escolha de um vinho e as emoções associadas ao seu degustar em determinado contexto e companhia. Isso pode variar de pessoa para pessoa, mesmo sob circunstâncias semelhantes.

Estrutura é a parte anatômica do cérebro. Por exemplo, a amigdala (existe uma em cada hemisfério cerebral. Porém a citação convencional é sempre no singular), o hipocampo, o cerebelo, etc.

Função é o trabalho desenvolvido por esta estrutura. Por exemplo, a amigdala tem, entre suas funções, o papel de gestora das aversões e das emoções relacionadas ao medo, o que é fundamental para a autopreservação; o hipocampo regula muitas ações cerebrais e dentre outras funções é responsável pela formação das memórias, principalmente as de longa duração, fundamentais para o processo de aprendizagem e sobrevivência; o cerebelo, dentre outras coisas atua com a função de equilíbrio e movimento do corpo, coordenado o estado de semicontração muscular, o que permite que entrem imediatamente em ação, etc.

 

Cronologia das Neurociências

 

O cérebro possui uma estrutura complexa e invisível a olho nu. Não é possível olhar o funcionamento do cérebro como uma máquina em movimento. O que é possível fazer em relação ao coração. Os gregos pensavam que o coração era o comandante do corpo.

Como em todo o avanço do pensamento científico as novas descobertas partem das anteriores e é isso que constitui a história de erros e acertos de uma das mais fascinantes viagens do homem para compreender o próprio cérebro. É o cérebro estudando o próprio cérebro.

 

Veja os principais eventos desta viagem:

 

7000 a 4000 a.C.: A consciência não era atribuída ao cérebro, tanto que há registros, em papiros, nos quais os sumérios descrevem a euforia causada pela ingestão das sementes de papoula.

2500 a.C.: Papiros antigos descrevem a trepanação, uma técnica de perfuração do crânio, utilizada desde cerca de 7 mil anos antes de Cristo, possivelmente, para rituais espirituais ou para tratar dores de cabeça e transtornos cerebrais, como a epilepsia. Muitos destes sujeitos sobreviveram a estas interferências e, com isso, permitiram que seus crânios fossem estudados e comprovados a existência da cirurgia, devido às marcas de cicatrização, e da sobrevivência, em alguns, a múltiplas operações. Documentos recuperados atestam que médicos egípcios tinham conhecimento dos sintomas e lesões cerebrais, mas descreviam o coração como a sede dos espíritos e o repositório de memórias.

1700 a.C.: Os egípcios registraram descrições detalhadas sobre o cérebro em seus papiros, mas o removiam durante a preparação de suas múmias, numa indicação de que não seria útil nas encarnações seguintes.

450 a.C.: Os gregos começam a reconhecer o cérebro como o centro das sensações humanas.

387 a.C.: O filósofo grego Platão ministra aulas em Atenas explicitando sua crença de que o cérebro é o centro dos processos mentais.

335 a.C.: O filósofo grego Aristóteles reitera a crença antiga de que o coração é o órgão superior; o cérebro, acreditava ele, é um radiador que impede o aquecimento do corpo.

170 a.C.: Galeno, um médico romano, lança a teoria dos quatro humores (sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra), segundo a qual o caráter humano e o temperamento são decorrentes desses humores. Tal crença estava fundamentada na ideia de que os humores estavam associados aos ventrículos cerebrais e isso perdurou por mais de mil anos, sendo as descrições anatômicas de Galeno utilizadas por médicos durante todo esse tempo.

1543: O médico europeu Andreas Versalius publica “De humani corporis fabrica”, o primeiro livro “moderno” de anatomia com desenhos detalhados do cérebro.

1664: Thomas Willis, médico de Oxford publica o primeiro atlas do cérebro, detalhando as diversas funções do que ele classificou como “módulos” do cérebro.

1649: O filósofo francês René Descartes pensava que o cérebro é um sistema hidráulico que controla o comportamento. Funções mentais superiores seriam geradas por uma entidade espiritual, que interagiria com o corpo via glândula pineal.

1774: O médico alemão Franz Anton Mesmer cria o conceito de “Magnetismo Animal”, que mais tarde foi chamado de hipnose.

1791: O físico italiano Luigi Galvani descobre a base elétrica da atividade nervosa ao fazer experimentos com rãs e conseguir que a pata se contraísse mediante estimulação elétrica.

1848: Talvez a mais notável contribuição da história do estudo do cérebro e do comportamento tenha saído do acidente de um jovem, de 25 anos, supervisor de uma empresa ferroviária americana. Ao dinamitar pedras ele teve a parte frontal do cérebro atravessada por uma barra de ferro. O médico John M. Harlow que o atendeu e acompanhou sua trajetória até a exumação de seu corpo, descreveu a mudança do comportamento do jovem Phineas Gage como a de um homem organizado, educado, habilidoso, enérgico e respeitoso, antes do acidente, para o temperamento de um homem rude, socialmente irresponsável, capaz de falar obscenidades com senhoras e até mesmo fazer suas necessidades fisiológicas em público, depois do acidente. Gage teve poucos danos físicos, mas a mudança comportamental foi tamanha que as pessoas mais próximas diziam que não era ele.

1849: O físico alemão Herman von Helmholtz consegue medir a velocidade da condução nervosa e desenvolve o a ideia de que a percepção depende de “inferências inconscientes”.

1850: Franz Joseph Gall, cria a frenologia, que atribui diferentes traços de personalidade a áreas específicas do crânio. O mapa frenológico ou cabeça frenológica consiste de uma representação das protuberâncias do crânio às quais são atribuídas características do caráter da pessoa, tais como “suavidade” e “benevolência”.

1859: A publicação do livro de Charles Darwim, A origem das espécies cria grande frenesi no meio intelectual da época, tornando-se um best seller imediato e incentivando o debate das ideias entre sobre criacionismo e a evolução.

1873: O cientista italiano Camilo Golgi descobre que usando nitrito de prata podia corar o tecido cerebral para melhor visualização de sua estrutura. Com sua técnica Golgi descreveu a estrutura do neurônio e definiu que o tecido nervoso formava um retículo contínuo ou teia de células interligadas, como as do sistema circulatório. Em 1906, este trabalho, rendeu-lhe o Prêmio Nobel, dividido com seu arquirrival Cajal.

1861: O médico francês Paul Broca descreve o caso de um paciente chamado “Tan”. Este nome foi atribuído ao paciente porque tan era a única palavra que ele conseguia pronunciar. Após a morte de Tan, Broca examinou seu cérebro e descobriu a lesão na parte inferior do lobo frontal esquerdo, hoje denominada de área de Broca.

1874: O neurologista alemão Carl Wernicke publica seu trabalho sobre afasias, distúrbios de linguagem após lesões cerebrais. A área da lesão passou a ser chamada de área de Wernicke.

Broca e Wernicke foram os primeiros a descrever áreas cerebrais e suas funções especificas.

1889: O histologista espanhol Santiago Ranón y Cajal, considerado o pai da neurociência, publica a Doutrina Neuronal, na qual propõe que os neurônios são elementos independentes, formando as unidades básicas do cérebro. Utilizando a técnica desenvolvida por Golgi Cajal postulou algo totalmente diferente, ele sugeriu que os neurônios, ao contrário do que acreditava Golgi, comunicavam entre si através de conexões especializadas chamadas sinapses. Esta hipótese é a base da doutrina neuronal que que estabelece que o neurônio é a unidade fundamental do sistema nervoso. Mais tarde a microscopia eletrônica comprovou que Cajal estava certo. Ele também afirmou que os axônios crescem a partir do cone de implantação e que são capazes de detectar sinais químicos e de se mover para formar novas conexões apropriadamente. Além de suas descobertas Cajal desenhou o neurônio de maneira fidedigna. Ele e Golgi tornaram-se inimigos. Dividiram Nobel de 1906 e, mesmo na cerimônia de entrega do prêmio não se falaram.

1900: Sigmund Freud abandona o curso de neurologia ainda no início e passa a estudar psicodinâmica. Cria a psicanálise freudiana, que faz muito sucesso e ofusca, por meio século, a psiquiatria fisiológica.

1906: Santiago Ranón y Cajal descreve como os neurônios se comunicam.

1906: Alois Alzheimer descreve a degeneração pré-senil, batizada posteriormente como Doença de Alzheimer.

1909: O neurologista alemão Korbinian Brodmann descreve as 52 áreas corticais distintas, com base na estrutura neural microscópica. Denominadas de Áreas de Brodmann este “mapa” do cérebro é utilizado até hoje e foi responsável por esclarecer a confusão existente na época sobre a nomenclatura das partes do córtex.

1914: O fisiologista britânico Henry Hallett Dale isola o primeiro neurotransmissor descoberto, a acetilcolina. Neurotransmissores são substâncias químicas que permitem que os sinais nervosos passem de um neurônio para outro, através das sinapses. Por esta descoberta Dale é laureado com o Nobel em 1936.

1919: O neurologista irlandês Gordon Morgan Holmes relaciona o processamento da visão ao córtex estriado, o córtex visual primário.

1924: Surgem os primeiros aparelhos de Eletroencefalografia, desenvolvidos pelo neurologista e psiquiatra alemão Hans Berger.

1934: O neurologista português Egas Momiz realiza a primeira cirurgia de lobotomia, com a abertura do crânio para seccionar nervos que ligam o córtex frontal ao tálamo, como forma de aliviar alguns sintomas psiquiátricos. Egas Momiz inventou a angiografia, uma técnica que permitiu captar as primeiras imagens do cérebro. A lobotomia foi “melhorada” pelo cirurgião americano Walter Freeman, que inventou a lobotomia com furador de gelo. Ele defendia a intervenção como forma de curar uma série de problemas e a realizou em cerca de 50 mil pacientes. Este é um procedimento ultrapassado, apesar de ter registros de que para a maioria dos pacientes os sintomas tenham sido reduzidos satisfatoriamente. A lobotomia pode ser vista como uma evolução da trepanação (vide 2500 a.C.).

1953: A neuropsicóloga canadense Brenda Milner, hoje com 96 anos, descreve o caso do famoso paciente HM, que sofria de sérias convulsões epiléticas, o que envolveu a retirada de parte do hipocampo. Tal procedimento resolveu o problema das convulsões, mas HM teve sérios problemas de memória, tornando-se incapaz de registrar os acontecimentos cotidianos por mais de alguns segundos. Quando encontrava uma pessoa, por mais que lidasse com ela, era como se a vise pela primeira vez.

1957: O neurocirurgião canadense Wilder Penfiel e T. Rasmussen, concebem os “homúnculos motor e sensorial,” Eles fizeram o desenho de um humano com as partes do corpo aumentadas proporcionalmente à quantidade de conexões motoras e sensoriais destas áreas com o córtex. Penfield foi o primeiro a mapear as áreas do córtex que estão relacionadas ao movimento e às sensações corporais.

1973: O neurocientista britânico Timothy Vivian Pelham Bliss e Terje Lomo descrevem a potencialização de longo prazo. A percepção de uma experiência é gerada por um subgrupo de neurônios que dispara de forma sincronizada. Este mesmo grupo de neurônios tende a díspar em conjunto no futuro. Este mecanismo foi denominado como “potencialização”, que recria a experiência original. Se os neurônios ficarem sensibilizados, por dispararem juntos com frequência, quando um disparar, os outros o farão ao mesmo tempo, e isso é o processo denominado como potencialização de longo prazo.

1981: O neuropsicólogo americano Roger Wolcott Sperry, ganha o Nobel pelo trabalho denominado um grupo de neurônios em que relaciona as diferentes funções dos hemisférios cerebrais. Veja mais em O que é PNL.

1983: O neurocientista americano Benjamin Libet escreve sobre a determinação do momento, “timing” da volição consciente. Seus experimentos demonstraram que o que pensamos ser o momento decisivo é, na verdade, apenas o reconhecimento do que o cérebro já está fazendo. Segundo Libet seus estudos comprovam que não temos escolhas conscientes sobre o que fazemos e que, portanto, não temos livre arbítrio.

Em termos de percepção sensorial e reação a esta percepção, Robert Ornstein, diz, em A Evolução da Consciência, Best Seller, 1991, que o cérebro apresenta delay de 10 centésimos de segundo entre a percepção sensorial do evento e a (consciência, recordação do evento) e a reação a este evento.

Exemplificando: Você vê um carro vindo em sua direção e sai da frente, no instante em que o carro passa exatamente sobre o local em que você estava. Pela perspectiva de Libet você não teve nenhuma influência consciente sobre a decisão de evitar o atropelamento. Pela perspectiva de Ornstein, se a reação fosse simultânea à percepção, você teria saído do lugar 10 centésimos de segundo mais cedo, portanto, o carro passaria sobre o local 10 centésimos de segundo mais tarde. Porém, se você fosse mais lento 10 centésimos de segundo entre perceber e sair do lugar, você não estaria lendo isso, mas, provavelmente, morto.

1992: O neurofisiologista italiano Giocomo Rizzolatti descobre os neurônios espelho. A descoberta se deu por acaso. Imbuídos em outra pesquisa com macacos, um dos pesquisadores, da equipe liderada por Rizzolatti, imitou, inadvertidamente, o macaco enquanto este se espreguiçava, percebeu, então, que a atividade neural do animal, deflagrada em resposta à visão da imitação se alterou e que o padrão era da atividade neural era idêntico quando o animal fazia a ação.

O nome de neurônio espelho se deve ao fato de que estes neurônios, identificados no experimento, provocam no cérebro do observador um estado similar ao da pessoa que ele este observando. Isto é a explicação neurocientífica para a eficiência do rapport, da PNL.

Técnicas de Imagens do Cérebro: Os estudos que culminaram nos modernos aparelhos que permitem imagens do cérebro “quase em tempo real” são antigos, alguns de 1936, quando Linus Pauling e Charles Coryell realizaram experimentos que demonstraram que a hemoglobina possui diferentes momentos magnéticos. Os primeiros equipamentos de mapeamento cerebral ficaram restritos aos centros de pesquisa e posteriormente aos hospitais de ponta, sendo os exames muito caros, isso ainda hoje é uma realidade.

 

As principais tecnologias de imagem em neurociência:

 

Computed Tomography (CT) (Tomografia Computadorizada;

Positron Emission Tomography (PET) (Tomografia por emissão de pósitrons);

Magnetic Resonance Imaging (MRI) (Imagem por Ressonância Magnética);

Magnetoencephalography (MEG) (Magnetoencefalografia)

Single Photon Emission Computed Tomography SPECT (Tomografia computadorizada por emissão de fóton único);

Functional magnetic resonance imaging (fmri) (Ressonância magnética funcional).

2015: As Explorações prosseguem em todo o mundo e as Pesquisas e Avanços continuam, mas em ciência o tempo é bem dilatado entre uma descoberta em laboratório e sua aplicação comercial.

Isso por questões éticas e também por exigências da metodologia científica e regulação governamental. Além, claro, de questões financeiras envolvendo o as decisões sobre que tipos de estudos são mais “convenientes” receber recursos, muitos em detrimento de interesses econômicos.

O IBGA realiza estudos e desenvolve experimentos visando aprimorar as técnicas e procedimentos da PNL para que o comportamento e as habilidades humanas sejam sempre ancorados na excelência, na ética e no bem estar das pessoas.

Bear, Mark F. - Neurociências, desvendando o sistema nervoso, Artmed, 2008;
Karter, Rita, O livro do cérebro, Agir, 2012; 
Lent, Roberto, Neurociência da mente e do comportamenteo, Gen, 2008;
Machado, Angelo, Neuroanatomia FuncionalKolb, Bryan, Neurociência do Comportamento, Mamole, 2002.

 

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